Heróis de mudança

Após mais de 4 anos, a Sala de Justiça muda de endereço. Como o UOL não dá muita liberdade de configurações para os blogs, agora a Sala de Justiça está no Blogspot. Por enquanto, são só os melhores posts daqui (o que é uma boa oportunidade para vocês lerem o que ainda não tinham lido), com o tempo eu levo o restante. É nóis na fita e os prêibói no DVD (só pra terminar com uma piadinha)!

Atualizem seus links: http://asaladejustica.blogspot.com

Como compor uma música emo em 4 lições

Quer ser o próximo sucesso das paradas? Quer cantar no Domingão do Faustão com a platéia cheia de adolescentes se esgoelando por você? Quer fazer das roupas pretas, dos cabelos desgrenhados caindo nos olhos, dos piercings, alargadores e tatuagens um estilo de vida? Seus problemas acabaram!

Aqui vai a fórmula simples e infalível para se tornar a próxima banda emo de sucesso. Claro que as habilidades musicais e vocais (discutíveis) ficam por sua conta, mas como compor um sucesso emo eu ensino aqui em 4 fáceis lições. Tome nota:

1- Fale de coisas do coração, como um amor que acabou ou os sentimentos ruins que as pessoas cultivam.

2- Esqueça a rima. Música emo boa não rima.

3- Escreva mais palavras por verso do que a melodia suporta. Quanto maior a sensação de correr com as palavras pra caber tudo no verso, melhor.

4- Não se preocupe muito com a melodia. A música não precisa ter uma melodia com ritmo facilmente identificável.

Pronto, você tem um sucesso emo nas suas mãos. Agora é só caprichar no mousse de cabelo.

Senta que lá vem a história

Além de todos os outros usos e funções (como ser o reduto da miguxidade e dos fotologs de emos exibindo suas franjas milimetricamente lambidas sobre a testa), a internet virou o grande disseminador de lendas. Eu mesmo já recebi uma boa dose de e-mails contando aquelas histórias que você não sabe se são reais ou vizinhas da Branca de Neve e da Cinderela.

Uma delas é a de que o Kuat causa câncer até em ponta dupla de cabelo. Como bom cético prevenido que sou, fiz logo uma pesquisa na “internê” (Google, essa entidade constante na minha vida) para descobrir se o “causo” tinha embasamento. Logo descobri que se tratava de um saci pererê virtual.

Outro grande clássico é o e-mail solidário, aquele Criança Esperança da Internet. Sabe como é? Aquele “a cada e-mail enviado a Fulana da Silva (sempre um nome de criança bem carismático) recebe R$ 0,10 para o tratamento da sua leucemia mielóide aguda”. Já fiz também a devida pesquisa pra constatar que isso é uma grande bullshit.

O caso que gera maior polêmica é o famoso caso do carro que tem alergia a sorvete de baunilha. Não conhece esse clássico? Então você precisa conhecer: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=2840 . Apesar das várias referências ao caso em sites até sérios (como esse), eu ainda tenho minhas dúvidas se isso é verdadeiro. É um caso surreal demais.

Agora se eu receber um e-mail contando uma história de alguém que foi prontamente atendido pelo SAC de alguma empresa brasileira que resolveu o problema com toda a atenção e sem usar gerúndios em todo o atendimento, eu afirmarei categoricamente:  É MENTIRA!!!

Rapidinhas

- Em letras garrafais, no vidro traseiro de um Chevette: DEUS É FIÉL. Tomara que ele não seja fiel à gramática.

- Mais um prêmio ironia para o SBT: no Cine Belas Artes (frise-se novamente o “Belas Artes”) foi exibido o filme “Clube dos Pervertidos” (preciso desenhar o enredo?). É tipo fazer um programa chamado “Clássicos da Bossa Nova” e exibir um episódio sobre o “Créu”.

- Aproveitando o clima de eleições, não posso deixar de comentar: havia um candidato à prefeitura de Goiânia chamado Sandes Júnior. Fico imaginando qual seria a musiquinha do jingle de campanha dele... “Abre a porta, Mariquinha”?

Para americano ver

Desculpem o trocadilho do título, mas é que a notícia me deixou profundamente indignado. A Federação Nacional dos Cegos dos Estados Unidos está organizando protestos contra o filme Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, baseado na obra homônima de José Saramago. "O filme mostra os cegos como monstros e eu acho que isso é uma mentira", disse Marc Maurer, presidente da Federação. Segundo a associação, o filme firma estereótipos falsos, como que os cegos não conseguem cuidar de si mesmos e estão sempre desorientados. "Nós temos uma taxa de desemprego de 70% e outros tipos de problemas sociais porque as pessoas acham que nós não podemos fazer as coisas, e o filme não vai ajudar o nosso caso", disse Christopher Danielsen, um porta-voz da organização*.

Descontada a minha veneração por Saramago e toda a sua obra, em especial essa, que eu ainda acho ser seu melhor livro, e minha recém-adquirida admiração pelo Fernando Meirelles, após ver que o trabalho fenomenal de Cidade de Deus e o de Ensaio Sobre a Cegueira não podem ser coincidências, passemos aos fatos. Em primeiro lugar, os membros da Federação ignoram o fato de que há um grupo de cegos no filme e no livro que mantêm sua humanidade. Aliás, eles se mostram mais humanos justamente porque perderam a visão e são claramente retratados como os “mocinhos” da história.

Mesmo que não houvesse isso, o que os membros de tal Federação querem alegar? Que, pelo fato de serem uma minoria ou serem desprivilegiados de alguma forma, eles não podem ser retratados de maneira negativa? Se é assim, o próximo passo será banir de toda e qualquer obra cinematográfica e literária (sim, pois o livro existe há mais de 10 anos, fato que a tal Federação parece ignorar) personagens de minorias com características negativas: não será mais permitido haver negros traficantes, gays assassinos, ladrões pobres, mulheres frágeis e incapazes. Todas as minorias terão que ser retratadas apenas como os heróis, personagens perfeitos e infalíveis. Saibam desde que já que os “bandidos” serão sempre homens, brancos, de boa condição financeira, heterossexuais, sem nenhuma deficiência física, não judeus (afinal, eles já foram tão perseguidos também).

O assassino de um braço só de O Fugitivo? Esqueçam. Deficientes não podem ser assassinos. Joguem no lixo O Silêncio dos Inocentes e um dos personagens mais brilhantes e marcantes do cinema, Hannibal Lecter, ou alguma federação GLBT pode implicar. Incinerem o próprio Cidade de Deus, cheio de negros pobres ladrões, traficantes e assassinos (Fernando Meirelles deve mesmo odiar as minorias).

Quanto à alegação de que os cegos são retratados como pessoas desorientadas que não sabem se virar sozinhas, eu pergunto: o que deveria se esperar de pessoas que perdem a visão de repente, vítimas de uma epidemia inexplicável? Ainda mais quando todos ao seu redor começam a cegar também. Os “cegos da vida real”, mesmo quando desenvolvem habilidades para se virar sozinhos, acabam precisando de ajuda para uma coisa ou outra. Sempre vejo pessoas ajudando cegos a atravessar a rua, a entrar no metrô e sair dele. E não vejo nenhum problema nisso. Sei que a minha posição como alguém de saúde perfeita é muito confortável, mas sempre achei que a maior prova de humildade é saber reconhecer quando se precisa de ajuda. A maior soberba é achar que você não precisa da ajuda de ninguém, mesmo quando não se tem nenhuma deficiência.

Já fui contra o politicamente correto aqui neste blog várias vezes, mas sempre em tom de brincadeira, falando de como programas humorísticos eram mais livres e escrachados quando não reinava o guia de bons modos em relação aos sentimentos de minorias. Mas ver que querem levar o politicamente correto à última instância sobre obras artísticas me deixa profundamente preocupado com o futuro da liberdade criativa, do pensamento artístico, da liberdade de expressão. Tal posição da Federação Nacional dos Cegos dos Estados Unidos me parece de uma visão extremamente obtusa, mesmo para cegos.

 *extraído de: http://www.omelete.com.br

!!!

Das duas, uma: ou eu sou uma das poucas criaturas com a devida preocupação quanto ao uso escorreito (tá bom, o escorreito foi só pra me mostrar) dos elementos da escrita ou eu tenho que arranjar mais o que fazer. Eu tenho uma angústia recorrente quanto ao uso exagerado do ponto de exclamação. Quando eu aprendi Português na Alfabetização com a tia Carminha (mentira, eu não tive uma professora de Português chamada Carminha – tive uma de Inglês, que, por sinal, é uma lenda no meu colégio –, mas é que Carminha é tão nome de professora de Alfabetização), me ensinaram que o ponto de exclamação serve pra dar ênfase a uma frase, pra mostrar que você está praticamente gritando aquilo. Aí eu vejo neguinho usando exclamação até pra escrever as horas e fico preocupado com o futuro do ponto final. É que a banalização do uso da exclamação chegou a tal ponto (não o de exclamação, ponto mesmo, tipo momento) que o ponto final (sim, o da pontuação) está perdendo espaço, sumindo das frases, orações e períodos (você se lembra da diferença? Chama o Pasquale). Exagero? Podem ver. Dêem uma olhada na sua página de recados do Orkut. O ponto de exclamação reina absoluto, até nas frases mais feijão-com-arroz. Como diria minha amiga Lucy, banalizou, banalizou, virou Brasil! (viram? Eu usei uma exclamação aqui para demonstrar que essa é uma frase com ênfase, uma frase cheia de indignação)

Fora que eu aprendi que só se pode usar no máximo 3 exclamações juntas. Mas neguinho, não satisfeito em colocar exclamação até em receita de bolo da vovó, ainda tasca umas 8 exclamações juntas, isso quando não precedidas de uma vogal estendida, tipo: Que sumpimpaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!! NÃO DÁ!!! (reparem no número de exclamações utilizadas: 3) Vogal estendida com excesso de exclamação é o cúmulo da miguxidade! Mas não voltemos ao tema da vogal estendida, isso já foi assunto em outro tópico. Atenhamo-nos (eita que agora até eu me assustei!) apenas ao problema da exclamação, ponto. (trocadilho escrito, sacaram? Hã? Hã?!)

Será que eu tô ficando doido de me preocupar com isso? O que pensaria Machado de Assis, se não tivesse morrido há 100 anos? Ai, meu Deus! Eu preciso de um terapeuta que atenda na Academia Brasileira de Letras!

 

Insuportável mundo novo

Vocês também caíram no conto das facilidades da vida pós-moderna e tecnológica que vieram para... bem, para facilitar nossa vida? Ótimo, não estou só no mundo! Ou então sou muito noiado mesmo. Para acessar minha conta do banco pelo Internet banking, eu preciso digitar minha senha, digitar uma frase secreta e ainda digitar outra senha do cartão chave de segurança. Se essa via crucis digital não fosse suficiente, eu ainda digito a frase secreta – com mais de uma dezena de caracteres – no teclado virtual do site. É, aquele mesmo, com letrinhas miúdas que mudam de lugar e que você tem que sair catando com o cursor do mouse. E tome cuidado para não clicar na letra do lado! Toda vez que termino de digitar minha senha, eu começo a buscar as letrinhas separadas no teclado virtual e recebo a mensagem: “Você pode utilizar o teclado virtual ou o convencional para digitar sua frase secreta”. Mas eu fico lá, cornamente procurando as letras naquele teclado virtual. Agora pensem comigo: se eles exigem que a senha seja digitada no teclado virtual, então é porque ele é mais seguro do que o teclado convencional, correto? Se é assim, eu prefiro não correr o risco de utilizar o convencional pra digitar minha frase secreta. É só na minha cabeça noiada que isso faz sentido?

Cartões virtuais são outra coisa que perdeu sua utilidade e agora existe só pra atazanar nossa vida. Lembram como era legal receber um cartão virtual todo animadinho nos primórdios do advento da Internet? Pois é, esqueçam essa emoção. Eu, pelo menos, não me atrevo a abrir um cartão virtual, nem que o remetente diga que é da Ivete Sangalo! E eu tenho tanto medo do vírus-que-vai-comer-seu-HD-queimar-o-monitor-derreter-a-memória-e-ficar-enviando-uma-corrente-diariamente-pro-seu-e-mail-pro-resto-da-vida que fico preocupado só em receber o danado do cartão, mesmo sem abri-lo e deletando-o-o-o assim que o recebo-lho (próclise? Mesóclise? Ênclise? Chama o Pasquale!).

Aliás, o próprio e-mail surgiu pra facilitar nossa vida e a comunicação. Mas é óbvio que as mentes maquiavélicas logo encontraram um novo uso para ele: CORRENTE ENVIATOR TABAJARA. Sim, pois, na época da boa e velha carta, você tinha que ser muito corno pra ficar redigindo 15 cópias para evitar que seu cachorro morresse atropelado, sua mãe tivesse um AVC fulminante e você descobrisse que seu prédio foi construído pelo Sérgio Naya. Ou, pelo menos, o fariseu teria que desembolsar uma graninha em xerox. Mas agora? Bastam uns cliques e você manda esse belo presente por e-mail para 30 amigos fácil, fácil.

Qual será a próxima inovação tecnológica que vai ajudar a infernizar nossa vida em breve?

Ela virá

         

              Cansado da brancura de suas paredes, foi à varanda. Sempre teve por hábito gastar uns bons minutos ali, a contemplar os carros que passam, as pessoas que caminham, as cores que mudam no horizonte ao pôr-do-sol. Observação que já se deu em diversas altitudes: a perspectiva variava conforme o número do botão do elevador que precisava pressionar para chegar a sua casa, substantivo que ou se esvaziou de sentido ou abrangeu novos, tudo é uma questão de ponto de vista, em tempos nos quais apartamentos são mais comuns e numerosos do que casas propriamente ditas. Sempre foi um garoto de apartamentos.

            A noite tinha algo de especial, céu limpo. Poucas estrelas e nenhuma nuvem. A falta de nuvens era de se estranhar após dias tão chuvosos, mas a ausência de estrelas era comum. Sempre gostou da vida nas grandes cidades, mas se tornava um tanto bucólico ao lembrar dos céus apinhados de estrelas de paragens menos tomadas por asfalto e holofotes. Continuou a observar o céu e começou a pensar que talvez a culpa não fosse das luzes da cidade. Talvez todos tenham decidido tirar folga naquela noite: nuvens, estrelas, cometas. Até mesmo aviões. Deu-se conta de que não vira um avião sequer em todo o seu momento de contemplação. Vai ver até os céus precisam de descanso, pensou. O frio não lhe incomodava, não era intenso, como se fosse uma bela dama a acarinhar-lhe braços, pernas e rosto com as mãos, mas sem abraçá-lo com força.

            As ruas também careciam de movimento. Quase nenhum carro cortava as avenidas que conseguia ver da sua torre de observação. Foi então que percebeu que a quietude era plena, tomava céus e terra. Era como se tudo se encontrasse em repouso, às vésperas de algo por acontecer.

            Num arroubo egocêntrico, achou que o mundo estava embebido na sensação que lhe tomava por dentro. Em pé, cotovelos apoiados no parapeito, via o mundo. Mas, na verdade, estava ali para que o mundo o visse. Queria sair do anonimato de seu quarto, da discrição de seu apartamento, do desconhecimento de sua rotina. Queria ser visto, ser ouvido, ser tocado. Queria a emoção, a ansiedade, a vontade, as decepções e, principalmente, as conquistas. Estava ali em busca de uma vida que sabia ser sua, só não estava com ele ainda. Andava por aí, perambulando pelas ruas fazendo sabe-se lá o quê, desperdiçando o tempo de ambos. Faltava apenas que se encontrassem, ele e a vida que era pra ser sua. E estar ali, simplesmente parado na varanda, parecia diminuir a distância entre eles.

Quem dá aos pobres...

Fato: felicidade alheia incomoda. Mas vamos combinar que há momentos em que a pessoa tem todo o direito de ser amargurada e desejar todo o mal aos casais felizes que esfregam sua joie de vivre (alegria de viver em francês – nóis é chique, benhê!) na nossa cara nos piores momentos possíveis.

Eu já tinha experimentado semelhante sentimento de ódio ao sorriso alheio quando uma vez, meses atrás, eu fiquei preso em uma fila de caixa de supermercado atrás de um casal de namorados se beijando apaixonadamente. O pior é que eram aqueles mini-beijos estalados (Ô ódio!). In the name of the Lord! Mini-beijos estalados ninguém merece! É irritante demais!

Pois no fim de semana passado eu me vi em situação semelhante: preso na fila do ônibus do metrô atrás de um casal mega apaixonado e fofolete. Esses não davam mini-beijos estalados, mas ficavam esfregando o nariz um no outro de olhos fechados, com movimentos lentos da cabeça. Ódio duplo!

Foi então que entendi que a agravante da história toda é, além de você estar vendo gente amando e beijando na boca enquanto você não está, ver gente feliz da vida enquanto você está fazendo algo extremamente chato e sacal, praticamente a definição de “fila”. Procura lá o verbete no dicionário que você vai encontrar.

Sim, porque uma coisa é você estar na maior dor de cotovelo em um show do Djavan sozinho enquanto variados casais se abraçam e sacodem o corpinho ao ritmo da música juntinhos. Você está na merda, mas tem o show pra te distrair. Você presta atenção nas trancinhas do Djavan e abstrai a felicidade alheia. Mas numa fila? Você vai fazer o quê, pela hóstia consagrada? Acho que vou começar um tratamento de choque: quando me encontrar em outra situação dessas, vou chegar pro casal e dizer “É o seguinte, ou vocês param de contar dinheiro na frente de pobre ou vão ter que repartir comigo”. É a reforma agrária do beijo.

Atire primeiro, pergunte depois

Hoje é dia de falar de assunto de gente grande aqui. Eu tentei ficar nas amenidades, mas os recorrentes erros da polícia carioca não me deixaram passar batido pelo assunto. Acho que não preciso nem me deter em falar o que houve, todos sabem que a polícia anda atirando no que vê e acertando no que não vê. Ou pior ainda, atirando no que nem vê, como no caso do garoto de 3 anos metralhado dentro do carro com a mãe. Os policiais sequer viram quem estava dentro do carro e já saíram metendo bala.

Lamentável foi ver um “especialista” em segurança falando no Jornal Hoje que o problema é que o carro tinha películas muito escuras no vidro, por isso a polícia não pôde ver quem estava dentro. Pior: disse que as pessoas colocam esse tipo de película justamente para se proteger da ação dos marginais, que, sem saber quem e quantas pessoas estão dentro do carro, ficam mais reticentes em tentar algo, mas que é um risco porque também a polícia não consegue ver quem está dentro. Ora, se não consegue ver, não atira! Agora a lógica se inverteu? Nós que temos que evitar que a polícia atire em nós? Eu agora sou responsável pela arma na mão do outro? E um outro que deveria me proteger!

Mais lamentável ainda foi ver o Secretário de Segurança do Governo do Rio de Janeiro declarar que os policiais têm sim que atirar quando forem recebidos a tiro, sugestão que foi seguida à risca pelos policiais num caso de roubo de carro que terminou com a morte do dono do carro, que estava, imaginem vocês, dentro do carro com os ladrões. Sim, porque o seqüestro relâmpago é uma modalidade de crime nova no Brasil e ninguém sabe que, juntamente com os bandidos, pode haver uma vítima dentro do carro! E disse o Secretário que não vai abandonar a política de enfrentamento dos bandidos. Senhor Secretário, pedir que os policiais sejam prudentes não é pedir que sejam passivos e permissivos. Não estamos pedindo cafuné na cabeça dos bandidos, apenas que a polícia não saia atirando sem saber se há vítimas inocentes na linha de tiro. Se a autoridade competente para instruir a forma como a polícia deve agir acha que está tudo bem essa festa da bala, então está tudo perdido mesmo.

Agora ficamos assim: se não se morre na mão dos bandidos, morre-se nas mãos da polícia ou de seguranças armados de filhos de promotoras. A pergunta que fica é: e como se vive assim?

Remixaram o brega

Dia desses (mentira, já faz um tempo, é que eu nunca mais me dignei a escrever, culpa da queda de audiência por aqui – agora eu sei como a Globo se sente) a Dani Suzuki fez uma matéria sobre a tribo do brega. E eu fiquei bege de saber que existem subgêneros do brega.

Na verdade, o “termo técnico” é aparelhagem, que é um brega dominado por DJ’s, com super ultra mega mesas de edição em que eles remixam clássicos da MBB (Música Brega Brasileira). É um negócio super profissional.

Pois pasmem vocês de saber que existem vários gêneros: o Brega Pop, o Brega Hardcore, o Tecno Brega, o Brega Melody (esse é campeão disparado pra mim) e vários outros que não consegui pegar.

E pra quebrar paradigmas e causar frisson, essa matéria foi feita no Pará. Pois é, nem só de Calypso vive o Pará. Se bem que muita gente vai dizer que Calypso é brega, mas garanto que foi tudo tratado como gêneros distintos.

Vivendo e aprendendo. Joelma que o diga!

Sou chicleteiro (não, não é uma micareta)

Fui ao otorrino ontem e sabem o que ele me receitou, entre outras coisas? Chiclete! Isso mesmo! Um dos meus “remédios” é chiclete! Onde estava esse médico quando eu era uma criança catarrenta e louca por guloseimas? Tudo que eu gostaria naquela época era poder dizer pra minha mãe: “Mãe, foi o médico que receitou!” Deus não dá asa a cobra!

Jesus amado, por que as pessoas insistem no comercial do fedelho que quer cagar no banheiro do Pedrinho? Parece que ele está passando em todos os canais a cabo, a cada 2 minutos! SOCORRO! Vai cagar na casa do cão, pirralho dos infernos!

Vacina Constanza Pascolato

Eu e minhas teorias estapafúrdias: começo a achar que a breguice é um vírus que todos nós pegamos a alguma altura da vida. O negócio é que alguns criam anticorpos e adquirem resistência, outros não.

Formulei essa teoria ao ver um carro –  aliás, não “um carro”, pois não era um Fusca ou um Uno (perdão se você juntou seu salário suado para comprar um Mille bacaninha, mas é que eu precisava de um objeto de comparação para dramatizar a coisa), era um Audi – com 2 adesivos no vidro traseiro. Hoje eu abomino todo e qualquer adesivo em vidros, lataria e qualquer outra parte de automóveis, mas já fui um forte adepto de adesivos. Não só adesivos como também aqueles bonequinhos medonhos com ventosas que ficavam pinando no vidro do carro. O nosso era um Garfield, a quem interessar possa.

Tudo bem que todas essas abominações das quais eu era tão fã ocorreram na época em que eu era um pequeno infante fã da Xuxa – se você cresceu nos anos 80 e disser que nunca gostou da Xuxa, eu vou dizer que você não teve infância – e criança não tem gosto, tem desgosto, mas os outros habitantes da minha residência também “custiam” essas bizarrices e eram bem mais velhos. E também estão livres do vírus da breguice hoje em dia.

Fora outras manchas no meu passado, como as camisas de viscose estampada que eu já revelei aqui mesmo nesse blog que vos fala que eu usava. E adorava. Detalhe: era minha própria mãe, esse ser que tanto exalto post sim, outro também, quem fazia as camisas e me dava para usar. A prova cabal de que a breguice é um vírus que não escolhe vítima ao qual podemos criar resistência.

Por isso eu ainda tenho esperança quando vejo um carro cheio de adesivos, uma criatura usando listras com estampa, roupas com brilhos ao meio-dia, gente dirigindo um Golf último modelo de janela aberta com o som truando um forró ou um funk ou com aqueles néons azuis embaixo do carro (acreditem, isso já aconteceu comigo). O problema é que, para algumas pessoas, o vírus da breguice parece ser um retrovírus, tipo uma gripe que se apresenta cada vez como um vírus diferente e não deixa o sistema imunológico do infeliz dar cabo dele. Mas vamos ter fé. A desgraça é se o vírus da breguice também for transmitido pelo Aedes Aegypti, pois ninguém parece conseguir dar cabo do desgramado (que o diga o César Maia)! Jesus, põe a mão!

Uma coisa Hollywood de ser: mensagem escondida depois dos créditos finais

Eu andava meio desiludido, cabisbaixo, macambúzio e sorumbático com meu blog (deixei o tio Aurélio Buarque de Holanda orgulhoso agora, hein?). Foram quase 2 meses sem postar, mas dia das mães é covardia e eu não podia deixar de escrever qualquer coisa, nem que fosse um post preguiçoso de quem não fez uma força maior para escrever algo diferente do que já escreveu trocentas vezes (que foi o que eu postei).

Mas estou de volta em grande parte por causa do animus escrevendi que minhas novas leitoras me deram. Como eu sou bocão mesmo, eu dou logo nome aos bois: Ana e Laís. E também a minha velha amiga Val, que deixou um recadinho Rambo V no penúltimo post.

Bom, explicações e sentimentalismos à parte, voltemos às atividades.

Ó só, quando disserem pra você que se compra de um tudo no Saara do Rio de Janeiro (para quem não assistia à novela com a Taís Araújo e o Lázaro “Foguinho” Ramos: Saara é um centro comercial popular do Rio de Janeiro, um grande camelódromo, a verdade é essa), pode acreditar! Em uma visita minha ao antro das chamadoras de “Ném”*, eu vi uma maquininha de sorvete com um cartaz de preços. Mas qual não foi a minha surpresa ao ver ali, em meio às casquinhas simples e duplas, um dia da semana sendo vendido assim, levianamente: estava lá, para todo mundo ler, com preço (que eu esqueci, falha grave) e tudo, “Sunday”. Rapaz, até dia da semana eles vendem no Saara! E ainda há quem diga que não se recupera o tempo perdido! Gastou um domingão lavando o carro ou levando a sogra ao aeroporto? Vai no Saara que você o compra de volta, assiste ao jogo do Parmêra, do Curíntiã (licença, Lucy) ou do Framengo, vê umas bundas e uma desgraça alheia no Gugu e atura o Faustão interrompendo até pronunciamento do presidente da República.

* O que vem a ser “Ném”? Bom, isso é uma epidemia que se espalha pelo Rio de Janeiro, mais do que a dengue e sem direito a tenda de hidratação. É uma expressão que as... bem, as... as mulheres (geralmente) de baixo poder aquisitivo, digamos assim, usam para se dirigir a qualquer pessoa indiscriminadamente. Se há alguma lógica por trás disso, creio eu ser um diminutivo para “neném”. Vou descrever uma cena para vocês que vai dar a dimensão exata da coisa: um amigo entra em uma loja do Saara e começa a olhar os produtos, então chega a vendedora com um “xóstinho” de Lycra, um top também de Lycra com o bucho de fora, arrastando um par de Havaianas enfeitadas com miçangas e uma caneta prendendo o cabelo (Bic Cristal, muito provavelmente) e pergunta: “Posso ajudar, Nem?” Jesus, toma conta!

Fontes de pérolas também são o MSN e o Orkut. Aliás, a Internet como um todo, pois, desde que inventaram o internetês, aqueles e-mails recorrentes das pérolas do ENEM são fichinha perto das barbaridades gramaticais que se encontram na World Wide Web (fale World Wide Web 3 vezes seguidas com a boca cheia de farofa sem cuspir! World Wide Web, World Wide Web, World Wide Web!!! Pedimos perdão à nossa audiência sentada na primeira fileira). Eu acho que deveria existir uma licença mensal a ser concedida para as pessoas poderem ter acesso à rede mundial de computadores. Todos os meses os internautas teriam que fazer uma provinha básica de Português com professores Pasquales virtuais da vida para poderem continuar acessando a “internê”.

Mas depois desse desabafo todo foi que eu me dei conta de que o que tenho pra comentar sobre frases colhidas na Internet não tem nada a ver com erros de escrita. Aliás, um deles até tem erro de semântica, mas não de morfologia ou sintaxe (sim, isso aqui virou uma gramática agora. Ninguém merece!). Uma pérola ótima que pesquei há algum tempo foi uma frase de MSN (que eu tenho plena certeza que a pessoa não lerá aqui, não se preocupem, leitores fiéis, que eu jamais causarei constrangimento a vocês, mesmo que anonimamente). Ao lado do nome da criatura, vinha aquela mensagem pessoal:  Quando menos esperamos nos deparamos com o imprevisível. Por favor, me ajudem: fui eu que assisti aulas demais de Português ou há como ser diferente? Dá para esperar o imprevisível?

Outra coisa insuportável é a mania da extensão das vogais finais em mensagens eletrônicas. Para toda e qualquer coisa. Tipo as pessoas que conversam com seus miguxos no MSN ou deixam recados no Orkut assim: Juraaaaaaaaaaaa? Verdadeeeeeeeeeee? Fala sérioooooooo!! Mas não precisa ser num momento de espanto ou extrema alegria porque vai haver um novo show do RBD para pessoas serem pisoteadas! NÃO!!! Pode ser até ao passar uma informação banal, tipo: “Vou tomar banhooooooooooo”, ou “Tá chovendooooooooo”, ou “O Lula falou uma merdaaaaaaaaaaaa” (tipo, coisas corriqueiras). Minha vontade é dizer pra esses seres: “Passe amanhããããããããã!!!”

Como prêmio para quem teve a paciência de ler tudo isso até o final, aqui vai uma informação vital: hoje, o “Enquanto isso, na Sala de Justiça” completa 4 anos de existência! Eeeeeeeeeeee!!! Parabéns para mim, que consegui encher 4 anos (com certos períodos de ausência, motivados pela falta de audiência muitas vezes) com variadas besteiras e algumas mensagens relevantes para o amadurecimento da humanidade.

Lady Mafalda
Como qualquer palavra que eu tentar escrever vai soar repetitiva, pois não é nenhum segredo o que sinto pela minha mãe, já que escrevi uns 973 posts sobre ela, vou postar apenas um vídeo, um único vídeo que explica o que sinto por Dona Mafalda. Bom, pelo menos parte do que sinto. Feliz dia das mães, mãe!
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