Os cultos que me perdoem, mas besteira é fundamental

Os nostálgicos que me perdoem, mas tecnologia é fundamental. Em meio a um turbilhão de problemas que me levaram a ficar em posição fetal sobre a cama chupando o dedão da mão direita, minha salvação foi o Skype, com direito a vídeo e tudo. Se não fosse essa maravilha da comunicação, como eu conseguiria saciar minha vontade de colo de mãe?

Mas é incrível o poder calmante que o mero som da voz e a imagem da minha mamãezinha têm sobre mim. Eu me vi um verdadeiro Roberto Carlos, cantando Lady Laura a plenos pulmões. Aliás, foi ela mesma quem me lembrou essa música (detalhe: procurei a letra no Google, engasguei um pouquinho de emoção e baixei a música. Meu hino agora é Lady Laura).

Para quebrar esse clima “filme de Sessão de Sábado em que o filho é separado da mãe e enfrenta vários momentos amargos até reencontrar a felicidade”, que tal falar de um assunto totalmente sem importância, quase escatológico? É algo que observei há um tempo no metrô (o metrô, sempre o metrô). Um belo dia (nem lembro se estava tão belo, mas é um clichê para enriquecer a narrativa) estava eu dentro do metrô quando entra um senhor perto dos seus 60 anos de camiseta regata. Ele levanta o braço para se segurar dentro do vagão e o que aparece? Aquele chumaço de pêlos embaixo do braço, compridos, meio ruivos e quase lisos. Foi aí que eu finalmente entendi por que minha mãe (não tem jeito, essa mulher sempre volta) insistia tanto para eu dar uma aparadinha nos pêlos das axilas (para manter o nível e não chamar de “sovacos”). Os naturalistas podem até alegar que Deus nos criou assim, com pêlos, mas ninguém me convence que ele não errou na mão no xampu de hormônio e os fez maiores do que deveriam ser. Além disso, eu também percebi a importância da “crespeza”. Muita gente insatisfeita alisa suas madeixas, mas já repararam como cabelos de partes pudicas meio lisos são feios? Eu juntei a imagem do senhor no metrô com a de uma gringa que eu vi à beira da piscina no hotel em que fiquei nos Estados Unidos de braços para cima e taturanas sováticas à mostra, ambos com pêlos meio lisinhos. Por isso eu termino esse post do mesmo jeito que comecei, plagiando Vinícius, e digo: os lisos que me perdoem, mas crespeza é fundamental – em alguns lugares.

PS: sou só eu ou vocês também acham que eu estou me superando na estupidez dos assuntos que abordo?

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