Atire primeiro, pergunte depois

Hoje é dia de falar de assunto de gente grande aqui. Eu tentei ficar nas amenidades, mas os recorrentes erros da polícia carioca não me deixaram passar batido pelo assunto. Acho que não preciso nem me deter em falar o que houve, todos sabem que a polícia anda atirando no que vê e acertando no que não vê. Ou pior ainda, atirando no que nem vê, como no caso do garoto de 3 anos metralhado dentro do carro com a mãe. Os policiais sequer viram quem estava dentro do carro e já saíram metendo bala.

Lamentável foi ver um “especialista” em segurança falando no Jornal Hoje que o problema é que o carro tinha películas muito escuras no vidro, por isso a polícia não pôde ver quem estava dentro. Pior: disse que as pessoas colocam esse tipo de película justamente para se proteger da ação dos marginais, que, sem saber quem e quantas pessoas estão dentro do carro, ficam mais reticentes em tentar algo, mas que é um risco porque também a polícia não consegue ver quem está dentro. Ora, se não consegue ver, não atira! Agora a lógica se inverteu? Nós que temos que evitar que a polícia atire em nós? Eu agora sou responsável pela arma na mão do outro? E um outro que deveria me proteger!

Mais lamentável ainda foi ver o Secretário de Segurança do Governo do Rio de Janeiro declarar que os policiais têm sim que atirar quando forem recebidos a tiro, sugestão que foi seguida à risca pelos policiais num caso de roubo de carro que terminou com a morte do dono do carro, que estava, imaginem vocês, dentro do carro com os ladrões. Sim, porque o seqüestro relâmpago é uma modalidade de crime nova no Brasil e ninguém sabe que, juntamente com os bandidos, pode haver uma vítima dentro do carro! E disse o Secretário que não vai abandonar a política de enfrentamento dos bandidos. Senhor Secretário, pedir que os policiais sejam prudentes não é pedir que sejam passivos e permissivos. Não estamos pedindo cafuné na cabeça dos bandidos, apenas que a polícia não saia atirando sem saber se há vítimas inocentes na linha de tiro. Se a autoridade competente para instruir a forma como a polícia deve agir acha que está tudo bem essa festa da bala, então está tudo perdido mesmo.

Agora ficamos assim: se não se morre na mão dos bandidos, morre-se nas mãos da polícia ou de seguranças armados de filhos de promotoras. A pergunta que fica é: e como se vive assim?

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